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O REBANHO TEM LINA: O QUE FAZER?

postado em 19 de mai de 2017 05:42 por Augusto Portugal


A qualidade do leite produzido nas propriedades (ou unidades de produção de leite - UPL) é resultado de uma série de fatores relacionados aos sistemas de produção que interagem de forma complexa.
O LINA é um problema causado pelo desequilíbrio no sistema de produção de leite e que causa prejuízos a toda cadeia produtiva. O LINA tem sido objeto de estudo da Embrapa Clima Temperado desde 2002, que monitorou sua ocorrência em importantes regiões do RS e vem desenvolvendo tecnologias na área de diagnóstico, caracterização, prevenção, indução e tratamento do mesmo.

Os primeiros registros de precipitação de leite cru à prova do álcool ocorreram na Holanda, em 1930. Alterações na estabilidade do leite foram identificadas em diferentes países. No Brasil, foram verificados em vários estados: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco etc.

LINA

LINA é uma sigla que significa Leite Instável Não Ácido, que é o leite que apresenta instabilidade (precipitação) no teste do álcool/alizarol com a concentração mínima de 72%, mas não possui acidez elevada. 
O Teste do Álcool/Alizarol é um parâmetro utilizado para avaliar a qualidade do leite na propriedade, determinando o aceite ou a rejeição do mesmo para coleta e transporte para a indústria. Este teste é um dos requisitos constantes na atual legislação (Instrução Normativa 62 do MAPA). 
Quando o resultado é positivo no teste do álcool, geralmente os produtores dizem que o leite "cortou". Nesse caso, o leite é rejeitado pelo transportador ou seja, não é coletado.

A prova do alizarol apresenta uma variação com relação ao teste do álcool por conter alizarina na sua constituição, que muda de cor conforme a acidez do leite. Em casos de variações de acidez extremas essa mudança é visível, entretanto, quando a faixa de pH encontra-se próxima da faixa normal do leite (6,6 a 6,8) a mudança na coloração é pequena, causando dúvidas e insegurança na avaliação do resultado.
A primeira providência quando ocorre um caso de rejeição do leite pelo transportador (quando o leite é positivo no teste do álcool) é diferenciar se o caso é LINA ou Leite Ácido. 
Os fatores que causam o LINA são diferentes do Leite Ácido e as formas de solução dos problemas também. O LEITE ÁCIDO é causado pela ação bacteriana elevando a acidez da matéria-prima e a solução do problema passa pela higiene de obtenção do leite e pelo resfriamento adequado (4°C).

Atenção: LINA NÃO É LEITE ÁCIDO!

A diferença do LINA e do Leite Ácido está justamente na acidez do leite. O produtor pode fazer um teste caseiro para estimar a acidez. Para isso, pode ferver um pouco de leite e, se talhar, é considerado ácido. Esse teste não é preciso, mas é de fácil realização e pode servir como um indicativo. 
Para ter certeza da acidez real do leite, deve ser realizado o teste de acidez titulável (ºDornic) ou pH, com auxílio de um técnico.

Algumas informações importantes a serem consideradas na realização dos testes são:

    • Concentração do Álcool utilizada:  quanto maior a concentração do álcool (72, 74, 76, 78, 80%...), mais exigente é o teste, por isso, maior a ocorrência de LINA. A IN62 estabelece que o leite deve ser estável ao álcool/alizarol na concentração mínima de 72% (BRASIL, 2011);
    • O teste não deve ser realizado no leite recém-ordenhado: logo após a ordenha o leite possui CO2 natural que pode resultar em falsos positivos. Recomenda-se analisar o leite do tanque de 4-6 horas após a ordenha.
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